Rosário Meditado
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Milagre Eucarístico de Buenos Aires (1996)

Igreja de Santa Maria, em Buenos Aires
Igreja de Santa Maria, em Buenos Aires

Poucos sabem, mas um dos milagres eucarísticos mais impressionantes da história recente aconteceu em Buenos Aires, na Argentina, na década de 1990, quando Jorge Mario Bergoglio — que mais tarde seria o Papa Francisco — era bispo auxiliar da cidade. Os fatos ocorreram na Paróquia de Santa Maria, no bairro de Almagro, e foram estudados por cientistas de vários países que não sabiam de onde vinha a amostra que estavam analisando.

Os primeiros sinais (1992 e 1994)

O episódio de 1996 não foi o primeiro naquela paróquia. Em maio de 1992, fragmentos de hóstias consagradas, deixados num recipiente com água no sacrário para que se dissolvessem, apresentaram manchas avermelhadas e, dias depois, o que parecia ser gotas de sangue. Em julho de 1994, um novo fenômeno semelhante foi relatado durante uma Missa na mesma igreja. Esses acontecimentos já tinham chamado a atenção do clero local quando ocorreu o caso mais conhecido.

O que aconteceu em 1996

Relíquia da hóstia transformada em carne, na Paróquia de Santa Maria
Relíquia da hóstia transformada em carne, na Paróquia de Santa Maria

Em 15 de agosto de 1996, durante a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, uma hóstia consagrada caiu no chão durante a distribuição da Comunhão. Um fiel a recolheu e avisou o pároco, Padre Alejandro Pezet, que seguiu o procedimento habitual: colocou a hóstia num recipiente com água, dentro do sacrário, para que se dissolvesse com respeito.

O que aconteceu a seguir foi extraordinário. Em 26 de agosto, onze dias depois, ao abrir o sacrário, o padre encontrou a hóstia não dissolvida, transformada numa substância avermelhada, semelhante à carne humana, que nos dias seguintes aumentou de tamanho. Surpreso e sem explicação, ele comunicou o ocorrido a Dom Jorge Bergoglio, então bispo auxiliar de Buenos Aires, que pediu que tudo fosse documentado e preservado com cuidado.

A amostra foi guardada no sacrário. Com o passar dos anos, ela não se decompôs.

A investigação científica

Dr. Frederick Zugibe, cardiologista e patologista forense
Dr. Frederick Zugibe, cardiologista e patologista forense

Em 1999, Bergoglio — já arcebispo de Buenos Aires desde o ano anterior — autorizou uma investigação científica. O pesquisador boliviano Dr. Ricardo Castañón Gómez foi encarregado de coordená-la. Em 21 de outubro de 1999, um fragmento foi enviado a um laboratório forense em São Francisco, nos Estados Unidos, sem que os cientistas soubessem a origem do material — para que o resultado não fosse influenciado pela fé.

Nos anos seguintes, o material foi examinado por diversos especialistas, entre eles o Dr. Robert Lawrence (2000–2002), o Dr. Odoardo Linoli, na Itália (2001), e o Dr. John Walker, da Universidade de Sydney (2002). Em 2 de março de 2004, o renomado cardiologista e patologista forense Dr. Frederick Zugibe, de Nova York, ligado à Universidade de Columbia, analisou a amostra — ainda sem saber que se tratava de uma hóstia consagrada.

É músculo cardíaco, próximo do ventrículo esquerdo. O coração estava vivo e pulsando quando a amostra foi retirada.

Dr. Frederick Zugibe, 2004

As conclusões

Relicário com a amostra do milagre
Relicário com a amostra do milagre

Segundo os relatórios divulgados pelos pesquisadores:

  • Tratava-se de tecido humano do miocárdio (o músculo do coração), da região do ventrículo esquerdo, responsável por bombear o sangue para todo o corpo.
  • O tecido apresentava sinais de inflamação e sofrimento, como num coração que passou por grande agonia.
  • Havia glóbulos brancos intactos — algo que não se explica num tecido sem vida, pois essas células se desintegram pouco depois de deixarem um organismo vivo.

Os pesquisadores também compararam esses resultados com os do Milagre de Lanciano, na Itália (século VIII), cuja relíquia foi analisada em 1970–1971 justamente pelo Dr. Linoli e também se revelou tecido do coração humano.

O que a Igreja ensina sobre a Eucaristia

Um milagre eucarístico não acrescenta nada à fé da Igreja — ele apenas torna visível aquilo que acontece, de forma invisível, em toda Missa. Pela consagração, o pão e o vinho tornam-se verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo: é o que a Igreja chama de transubstanciação. A aparência de pão permanece, mas a substância já não é pão: é o próprio Jesus, vivo, com seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida, e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida.

Jo 6,55

Jorge Bergoglio nunca fez propaganda do caso. Ao contrário, tratou o assunto com discrição e prudência, lembrando que a fé não deve se apoiar apenas em milagres, mas no encontro pessoal com Cristo, presente na Eucaristia — presença que é a mesma em qualquer sacrário do mundo.


Fontes