Rosário Meditado
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O Milagre Eucarístico de Lanciano

Na pequena cidade de Lanciano, na região dos Abruzos, no centro da Itália, está guardado aquele que é considerado o mais antigo milagre eucarístico da Igreja. Há mais de doze séculos, durante uma Missa, a hóstia consagrada se transformou em carne e o vinho em sangue. E o mais impressionante: essas relíquias continuam lá, expostas à veneração dos fiéis, e foram estudadas pela ciência moderna.

O que aconteceu

Cristo com a hóstia e o cálice
Cristo com a hóstia e o cálice

Por volta do ano 750, na antiga Anxanum — hoje Lanciano —, havia uma pequena igreja dedicada aos santos Legonziano e Domiciano, confiada a monges basilianos, de rito oriental. Um desses monges, homem culto mas atormentado pela dúvida, já não conseguia crer plenamente que, nas palavras da consagração, o pão e o vinho se tornassem de verdade o Corpo e o Sangue de Cristo.

Certo dia, celebrando a Missa com essa dúvida no coração, ele pronunciou as palavras da consagração — e viu, em suas mãos, a hóstia transformar-se em carne viva e o vinho, no cálice, em sangue verdadeiro.

Diante dos fiéis assombrados, o monge chorou de arrependimento e de alegria. A carne manteve a forma circular da hóstia, e o sangue, com o tempo, coagulou-se em cinco glóbulos de tamanhos e formas irregulares — número que muitos fiéis associam às cinco chagas de Cristo.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele.

Jesus Cristo (Jo 6,56)

As relíquias ao longo dos séculos

A memória do milagre foi preservada pelos fiéis de Lanciano ao longo dos séculos. Em 1252, a igreja foi confiada aos frades franciscanos, que construíram no lugar uma nova igreja, concluída em 1258 e hoje dedicada a São Francisco. Os Frades Menores Conventuais continuam até hoje como guardiões do Santuário.

Atualmente, a hóstia de carne está guardada num ostensório de prata feito por artistas napolitanos em 1713, e os cinco glóbulos de sangue num cálice de cristal de rocha do século XVII. Ambos podem ser vistos de perto pelos peregrinos, no altar do Santuário.

A Igreja examinou as relíquias diversas vezes. Na verificação oficial de 1574, registrou-se um fato curioso: cada glóbulo de sangue pesava o mesmo que todos os cinco juntos. Esse fenômeno foi gravado numa inscrição colocada na igreja em 1636, mas não se repetiu em pesagens posteriores, como a de 1886.

O que a ciência encontrou

Em 1970 e 1971, a pedido dos frades e com autorização eclesiástica, o professor Odoardo Linoli — catedrático de anatomia e histologia patológica e chefe do laboratório do hospital de Arezzo —, com a colaboração do professor Ruggero Bertelli, da Universidade de Siena, realizou um estudo rigoroso das relíquias. Os resultados foram apresentados em 4 de março de 1971 e publicados numa revista científica italiana:

  • A carne é carne verdadeira: tecido muscular estriado do coração humano (miocárdio).
  • O sangue é sangue verdadeiro, humano.
  • A carne e o sangue pertencem à mesma pessoa — ambos do grupo sanguíneo AB.
  • O sangue conserva proteínas e minerais nas proporções do sangue humano fresco.
  • Não foi encontrado nenhum conservante, nem qualquer substância usada para mumificação.

Para os cientistas, é inexplicável que um tecido humano e um sangue não tratados, expostos por mais de mil anos à ação do ar, da luz e de agentes biológicos, tenham se conservado dessa forma. Estudos posteriores, de 1981, confirmaram essas conclusões.

Doze séculos depois, um fato surpreendente: as análises do Milagre Eucarístico de Buenos Aires, feitas por cientistas que não sabiam a origem da amostra, também identificaram tecido do coração humano. Em Lanciano e em Buenos Aires, o sinal é o mesmo: é o Coração de Cristo que se oferece por nós.

O que a Igreja ensina

Um milagre eucarístico não é necessário para a fé — ele apenas torna visível o que acontece, de modo invisível, em toda Missa. O Concílio de Trento ensinou, e o Catecismo da Igreja Católica repete, que pela consagração do pão e do vinho realiza-se a mudança de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo, e de toda a substância do vinho na substância do seu Sangue. A Igreja chama essa mudança de transubstanciação (Catecismo, n. 1376).

Por isso, diante do sacrário de qualquer igreja do mundo, estamos diante do mesmo Jesus que, em Lanciano, quis confirmar a fé de um sacerdote que duvidava.

Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente.
E o pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo.

Jo 6,51

Adoro te devote — Santo Tomás de Aquino

Adoro-Vos com devoção, Deus escondido,
que sob estas aparências Vos ocultais verdadeiramente.
A Vós se submete todo o meu coração,
porque, ao contemplar-Vos, tudo desfalece.

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Fontes

  • Santuário do Milagre Eucarístico de Lanciano (site oficial): miracoloeucaristico.eu/
  • Cathopedia, Miracolo eucaristico di Lanciano: it.cathopedia.org/wiki/Miracolo_eucaristico_di_Lanciano
  • O. Linoli, Ricerche istologiche, immunologiche e biochimiche sulla carne e sul sangue del Miracolo Eucaristico di Lanciano, Quaderni Sclavo di Diagnostica, 1971.
  • Catecismo da Igreja Católica, n. 1373–1381.